<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163</id><updated>2012-01-09T17:52:07.803-08:00</updated><category term='Para o Clube da leitura'/><category term='Escrever'/><category term='Relacionamentos'/><category term='Férias'/><category term='Lazer'/><category term='Batuque'/><category term='Crises'/><category term='Trabalho'/><category term='Comadres'/><title type='text'>Camaleoa virtual</title><subtitle type='html'>A procura da própria coisa</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>26</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-3472898733892499888</id><published>2011-10-28T16:12:00.001-07:00</published><updated>2011-10-28T16:16:18.098-07:00</updated><title type='text'>Voando alto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-qdoKH9jImZQ/Tqs3AdlG91I/AAAAAAAAAH8/XR39ty6UgJs/s1600/medo_de_aviao.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 276px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-qdoKH9jImZQ/Tqs3AdlG91I/AAAAAAAAAH8/XR39ty6UgJs/s320/medo_de_aviao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5668685037055702866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Paula tem trinta e cinco anos, já passou por alguns namoros complicados, incluindo um usuário de drogas ilícitas, um rapaz que sofria de ciúme patológico, outro extremamente egocêntrico e seu último relacionamento foi um noivado desfeito dois meses antes do casório. A união seria com um freqüentador da Igreja Assembléia de Deus, de quem escondia seus relacionamentos anteriores, mas que mesmo assim insistia em rotulá-la de pecadora, transgressora e imoral. &lt;br /&gt;Sua família e amigos lhe deram suporte, dizendo que ele não era homem pra ela, que fora melhor assim, que a separação é sempre um processo sofrido, mas ainda bem que no seu caso foi precoce, que ela rapidamente encontraria alguém com quem dividir a verdadeira felicidade.&lt;br /&gt;Em suas férias, Paula organizou uma “viagem de meninas” com duas amigas bem próximas. Durante a viagem iriam encontrar outras que já estavam pela Europa e iam se juntar ao time das solteiras. Estabeleceram o itinerário, compraram passagens aéreas em uma combinação um pouco estranha para conseguir um preço melhor, reservaram albergues pela internet e tiveram noites e noites regadas a Champagne, gargalhadas e pop music, com direito ao clássico “Girls Just wanna have fun” da Cyndi Lauper. Foi nesse clima de total desapego e aventura que fizeram as malas e chegaram no início da noite ao Galeão.&lt;br /&gt;Estavam ansiosas com o vôo, com o frio em Paris, com programas, museus e compras. Não paravam de falar e mostrar reportagens de revistas e guias de viagem que pegaram emprestados na véspera com amigos. Viajar em grupo é complexo, e com elas não foi diferente, porque enquanto uma queria ir ao banheiro, a outra comprava um lanche e Paula não podia deixar de passar no Free Shop pra garantir o Make-up importado. &lt;br /&gt;Entraram no avião, seus lugares eram juntos, sendo que a fileira era de quatro, e a poltrona do corredor ficou vaga. Pouco tempo depois chega João e mais dois amigos, que iam também passear na Cidade Luz. Os amigos ficaram do outro lado do corredor e o lugar de João fora estrategicamente escolhido já que era de mais fácil movimentação. Ele tinha medo de avião e havia tomado uma superdosagem de Rivotril® para aceitar a viagem. Suas mãos suavam frio, o coração estava na boca e quando as portas da aeronave foram fechadas e acenderam os sinais de apertar os cintos, ele, que tinha falado um tímido “boa noite”, agarrou o braço de Paula com força contra seu peito, fechou os olhos trêmulos e emudeceu.&lt;br /&gt;Ela não sabia o que fazer, perguntou algumas vezes o que estava acontecendo, mas não teve resposta. Chamou a aeromoça, mas ela estava ocupada assim como o resto da tripulação. Paula, então tentou parecer normal, puxou conversa com os amigos de João, que foram simpáticos e a tranquilizaram dizendo que não se preocupasse, que esse comportamento era normal e que já já passava. Realmente foi isso que se sucedeu, e depois de alguns minutos de vôo, conseguiu reaver seu braço um pouco dolorido com um sorriso amarelo, mas com brilho nos olhos. Está melhor?&lt;br /&gt;Olha, mil desculpas pelo meu comportamento. Por favor não fique assustada,  é que tenho pânico de avião e você não imagina o esforço que é para mim fazer uma viagem como essa. Me chamo João, prazer. Paula não sabia o que exatamente fixava seu olhar, se eram os olhos negros rasgados ou o jeito doce como se explicava e se abria, contando suas fraquezas para uma estranha. &lt;br /&gt;Imagina... entendo perfeitamente, é que tomei um susto mesmo. Que bom que está melhor agora. Tenho problema principalmente com pousos e decolagens. É claro que se ficasse pensando no avião o tempo inteiro não iria melhorar, mas acho que temos assuntos mais interessantes pra falar, não acha? Ah, claro que sim. Você é do Rio? Estou notando um sotaque estranho? Não, sou de Juiz de Fora, mas meus amigos são cariocas. Eu já conheço Paris, é a minha terceira vez, mas meus amigos ainda não. É sempre bom voltar porque deixei muitos lugares legais de fora dos roteiros anteriores.&lt;br /&gt;Das doze horas de viagem, passaram mais da metade numa conversa só, que abordou trabalho, amigos, filmes, música e família, intercalada com alguns momentos de cochilo no ombro vizinho. Já amanheceu, tinham acabado de tomar o café-da-manhã e se aproximava a hora de pousar. As nuvens de algodão em breve passariam pela janela anunciando a chegada, mas Paula estava tensa, pois não sabia como João iria reagir dessa vez. Posso te ajudar de alguma maneira? Você me daria sua mão? Claro, já dei o braço inteiro da outra vez, né?&lt;br /&gt;A forma como segurava sua mão era tão especial, como se fosse uma jóia. Fechou os olhos para sua concentração e só pensou em coisas boas e positivas, que iam lhe acalmando, controlando sua respiração ofegante, lhe trazendo paz. Quando o avião tocou o chão, sentiram um solavanco normal da freada, mas ele não se abalou, como se sob meditação ou hipnose. Aquela pele fina, aquele perfume envolvente, aquela capacidade de só falar coisas inteligentes e interessantes afastavam qualquer sinal de ansiedade. Quando poderemos nos ver de novo? Não sei, podemos nos encontrar em algum dia, fazer um programa. O que acha? Acho que pela primeira vez vou subir na Torre Eiffel, vou gostar e se depender de mim, não desço mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-3472898733892499888?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/3472898733892499888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/10/voando-alto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/3472898733892499888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/3472898733892499888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/10/voando-alto.html' title='Voando alto'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-qdoKH9jImZQ/Tqs3AdlG91I/AAAAAAAAAH8/XR39ty6UgJs/s72-c/medo_de_aviao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-6639337101193373455</id><published>2011-10-12T06:16:00.000-07:00</published><updated>2012-01-09T17:52:07.818-08:00</updated><title type='text'>Hamster não é rato</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-RE77p19djvM/TpZRSY-cMiI/AAAAAAAAAE8/Ny1vMpw8DmA/s1600/rato.ashx"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 297px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-RE77p19djvM/TpZRSY-cMiI/AAAAAAAAAE8/Ny1vMpw8DmA/s320/rato.ashx" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5662802957848818210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pedro é um garoto de oito anos que tem as pernas magras, a voz fina e gosta de jogar futebol com os amigos no campinho atrás da sua casa. Como todos na sua idade, é um pouco resistente a higienes, travando sempre discussões com sua mãe para tomar banho e cortar as unhas e cabelos. Mora em uma casa confortável com seus pais e não tem irmãos. &lt;br /&gt;A maioria de seus amigos estuda na mesma escola que ele, e sempre se encontram na hora do recreio. Não gostam muito das garotas, que passam o tempo todo fofocando pelos cantos e ouvindo alguma música boba da moda. Um belo dia, vindo transferida de outra cidade, entrou na sua sala Mariana, a menina que reinaria por toda a sua infância. Ficava encantado com seu corpo quase formado, seu jeito adulto de falar e sua energia de viver. Mariana sempre trazia novidades, principalmente às segundas-feiras.&lt;br /&gt;A última delas foi seu novo bichinho de estimação, um hamster, que comprara da Feira de filhotes. Ela disse que depois da morte trágica do pintinho no ano passado, muito traumática para sua irmã mais nova Julia, ela tinha escolhido um animal que ficasse contido em um ambiente, e que o pequeno roedor era ideal. Como ela se divertia com ele! Esclareceu que seus dentes cresciam constantemente e precisava estar sempre roendo alguma coisa para evitar que crescessem demais. Contava que dava a ele uma dieta especial, não só com ração e água, mas frutas frescas, castanhas e vegetais. Esse era o segredo do Bolinha, que tinha energia para correr rapidinho naquele cilindro e que gostava de brincar de recompensas, aprendendo vários truques legais. Era realmente muito esperto o Bolinha, e às vezes ela até o tirava da gaiola para lhe fazer um chamego na barriga.&lt;br /&gt;Pedro voltava para casa com todas aquelas histórias na cabeça, imaginando Mariana e Bolinha brincando. Pensava que ele também queria ter um bichinho que lhe fizesse companhia, afinal de contas seus pais trabalhavam muito e ele, por vezes, se sentia só. Um dia Pedro estava mexendo nos entulhos da casa dos fundos, que funcionava como depósito, procurando sua bicicleta meio enferrujada que tinha encostado em algum lugar, quando viu um movimento numa pilha de jornais velhos. Aproximou-se, afastou algumas caixas que estavam perto e viu um hamster bem parecido com a descrição de Mariana, só que cinza e um pouco maior. &lt;br /&gt;A surpresa foi maior que o medo e ele simpatizou com o bichano. Lembrou-se da dieta recomendada pela amiga. Diferente de Mariana, Pedro criava seu hamster livremente pois sabia que sempre encontraria o amigo por ali quando o procurasse. Fez alguns brinquedos com panos e pedaços de madeira e se divertia vendo que ele fazia barulhos como se quisesse mesmo agradecer o carinho do menino.&lt;br /&gt;Um dia quis fazer uma surpresa para Mariana e mostrar seu hamster a ela. Pediu ajuda ao pai para deixar o cabelo um pouco mais bonito, como se tivesse acabado de sair do banho. O pai sugeriu que passasse o mesmo gel que ele, que deixa o cabelo arrumado o dia inteiro. Perguntou aonde o menino ia e ele espondeu que ia na casa de uma amiga da escola. O pai riu e lhe deu um tapinha nas costas, esse é o meu filhão.&lt;br /&gt;Às cinco horas da tarde da sábado, ele tocou a campainha de Mariana com uma caixa de sapatos embaixo do braço. Quem abriu a porta foi a sorridente Julinha, que logo foi chamar a irmã. Mariana demorou uns dez minutos para chegar, não disfarçou a surpresa de ver Pedro ali na sua sala e não conseguia desviar o olhar de seu cabelo. Tem alguma coisa diferente com você, Pedro. O que houve com seu cabelo? Ah, sim, passei gel, meu pai falou que deixa mais arrumado, gostou? Não sei, está estranho, meio duro... E essa caixa, o que é?&lt;br /&gt;Então, vim te mostrar meu hamster. Eu não sabia que você tinha hamster também. Nunca falou nada... É que tem poucas semanas que o encontrei na minha casa. Você encontrou um hamster na sua casa? Que estranho. E qual o nome? Chamo de Chico, e pelo visto ele gosta de comer as mesmas coisas que o Bolinha, só que ele é um pouco maior e é cinza. Olha que lindo.&lt;br /&gt;Ah, que horror! Não acredito que você teve coragem de trazer um rato pra minha casa!!! Calma, Mariana, o Chico é um hamster diferente, só isso. Isso não é um hamster, é um rato, e hamster não é rato! Você é muito nojento mesmo, Pedro, você cria um rato em casa que pode te passar doenças, que anda no lixo, nos esgotos, eca! Você não sabe o que é um hamster, eles são branquinhos, limpos, criados em cativeiros e dóceis, e não esse monstro peludo. Vai embora daqui agora mesmo, não quero nunca mais falar com você.&lt;br /&gt;Pedro desceu as escadas desolado, com lágrimas nas bochechas, ainda sem entender a reação de Mariana. Só porque ela tinha comprado o hamster dela de cativeiro, achava que o dela era melhor que o seu? Não é justo tratar os animais assim, ainda mais o Chico que ela nem conhecia direito. Não gostou do jeito como ela falou, como se ele não soubesse das coisas. Lembrou de uma conversa que teve uma vez com seu pai. Ele falava que as mulheres eram muito difíceis de agradar, ficavam nervosas com facilidade, que geralmente complicavam as situações, que os homens eram mais práticos, que era preciso ter paciência, e que ele entenderia isso com o tempo. Seu pai tinha mesmo razão e agora o que ele queria era esquecer essa história estúpida de hamster e rato, e que ainda dava tempo de encontrar o pessoal para uma pelada no fim da tarde. Voltou para casa com Chico, calado, cabisbaixo e dando pontapés no vento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-6639337101193373455?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/6639337101193373455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/10/hamster-nao-e-rato.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/6639337101193373455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/6639337101193373455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/10/hamster-nao-e-rato.html' title='Hamster não é rato'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-RE77p19djvM/TpZRSY-cMiI/AAAAAAAAAE8/Ny1vMpw8DmA/s72-c/rato.ashx' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-2092192749434744094</id><published>2011-10-01T05:36:00.000-07:00</published><updated>2011-10-15T09:11:14.759-07:00</updated><title type='text'>Um coração de porcelanato fosco</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-pHi0xBRBkYQ/TpmSvZsspwI/AAAAAAAAAHM/HeEWIRtJsLA/s1600/coracao-de-pedra.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 216px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-pHi0xBRBkYQ/TpmSvZsspwI/AAAAAAAAAHM/HeEWIRtJsLA/s320/coracao-de-pedra.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663719349444978434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias Maria Luisa espera por Guilherme, isso há mais ou menos um ano. É o combinado, estudam na mesma sala da faculdade e moram no mesmo bairro. Guilherme, mais conhecido como Guiga, tem uma BMW que ganhou do pai assim que passou na Universidade, é bonito, faz muito sucesso com as meninas e passa mais tempo na academia do que sua mãe gostaria. Não custa nada a ele dar carona para a angelical Malu, primeira aluna da turma, famosa por seu caderno completíssimo que é o mais procurado na xerox do Centro Acadêmico, principalmente em vésperas de provas.&lt;br /&gt;Às sete horas da manhã ele passa e dá tempo suficiente até chegarem ao Campus decadente da faculdade. Atualmente são amigos, as conversas se alongam muitas vezes até depois do horário da aula e não é raro encontrá-los em algum boteco da redondeza. Conheceram-se no primeiro dia do trote, em que ficaram no mesmo grupo, pintados da cabeça aos pés de tinta guache, seminus, pedindo trocados em um sinal da Tijuca. Poucas semanas depois, com o dinheiro arrecadado, os alunos veteranos organizaram uma festa de confraternização de boas vindas aos novos colegas, a chopada. O evento, anunciado nas rádios e divulgado em todos os corredores e salas de aula, não tinha como não estar cheio. &lt;br /&gt;Malu chegou cedo, estava com sua blusa mais decotada, passou no banheiro depois da aula para dar aquela caprichada na maquiagem e ainda conseguiu pegar cerveja de graça com certo conforto. Como Guiga era amigo dos veteranos, conseguia continuamente bebidas mais pesadas mesmo depois de o espaço estar intransitável, o chão absolutamente imundo e molhado de urina misturada com a água derretida do gelo dos isopores.&lt;br /&gt;O que tocavam não era exatamente música, mas um funk alternado com axé que fazia sucesso na época. Então, Guiga, que já tinha trocado algumas palavras com Malu, resolve se aproximar na penumbra do salão. Apoiou seu braço de músculos contraídos e torneados em frente do rosto de traços finos e assustados da menina e declamou alguns elogios, até que sinceros. A moça ficou sem-graça e tentou desviar a conversa, qual não foi sua surpresa quando Guiga levantou a própria camisa perguntando se ele não era bonito o suficiente, se não merecia seu beijo. Ela sorriu e beijaram-se, por fim. Após o beijo, com direito a palpações enérgicas e demoradas, ela tomou fôlego, puxou sua saia jeans para baixo, realinhou a blusa branca e ajeitou o cabelo. Ele não conseguia olhar fixamente para nada, estava bêbado, enjoado e quase em transe com aquela música alta, luzes e cheiros.&lt;br /&gt;Prontamente, Guiga se desculpou, deixou Malu sozinha e virou para o canto da parede, onde o vômito ajudou a colorir ainda mais o chão de restos de papelão amarelo. A menina ficou sem saber o que fazer, tentou ajudá-lo, mas ele foi grosseiro e recusou. O resto da noite foi um festival de bizarrices, em que Malu, preocupada, não se divertia e voltou para casa incrivelmente triste. Ao longo do tempo, eles reataram a amizade e Guiga fazia questão de mostrar consideração e respeito. Ele tinha algo de sincero e ingênuo que fazia com que ela gostasse de estar ao seu lado.&lt;br /&gt;Já são sete horas e quarenta e cinco minutos e Guiga ainda não chegou. Não atende o celular e Malu começa a pensar em pegar um ônibus para não chegar ainda mais atrasada. Em frente ao ponto de encontro há uma loja de material de construção, cujo dono simpático, o senhor Domingos, puxa conversa com a moça e lhe oferece ajuda. Ela não procura nada em especial, diz apenas que aguarda um amigo e só está olhando para passar o tempo. Seu Domingos pergunta se Malu conhece o piso de porcelanato, muito vendido atualmente no Brasil. Ela diz que já ouviu falar, que acha que é o que tem em casa. O senhor pergunta se é o polido ou fosco. Ela diz que é o polido, pois sua mãe diz que é o mais bonito. Pronto: o que ele queria ouvir. Ele esclarece que o Brasil é campeão mundial de porcelanato polido, que não faz o menor sentido, levando em consideração o material e a maneira como ele é feito. &lt;br /&gt;Ao entrar no forno, aquela espécie de cerâmica crua tem uma propriedade especial de derreter suas partículas, sem exatamente derreter, e com isso, quando sai do forno, seus poros estão completamente fechados. No processo de polimento, o material tem alguns poros abertos, onde entram sujeiras. Seu Domingos diz que não é culpa da mãe da menina, que é a cultura brasileira que privilegia a beleza, e que aqui a imagem de limpeza infelizmente está atrelada ao brilho. Falsos conceitos e uma sociedade de aparências.&lt;br /&gt;A inesperada conversa serviu mesmo para passar o tempo e Guiga logo chegou. Malu se despede carinhosamente do seu novo amigo. O rapaz mais uma vez se desculpou pelo atraso. Ficou estudando até tarde, esqueceu de ligar o alarme e perdeu a hora. No caminho, elogiou seu corte novo de cabelo, o perfume doce e suave de sempre e suas notas na última avaliação. O coração de Malu bate forte, ela procura não olhar para ele durante a viagem, disfarça, comenta o outdor que passou, a música do rádio e os estragos da chuva da semana na cidade. Ela não quer, mas percebe que gosta cada dia mais do playboy mais galinha da faculdade. Suas amigas já perceberam, e dizem que ela tem que se abrir para o rapaz, que tem que dar mais uma chance. Ela olha para o lado e vê no banco uma caixa de fósforo do motel dos dois ursos da São Clemente. Sabendo muito bem o motivo do atraso, tem ainda mais raiva das cantadas baratas que insiste em jogar pra ver se cola, como se migalhas bastassem para ela.  Lembra do falante senhor Domingos e pensa que, pelo menos para o bonitão da turma, seu coração é de porcelanato fosco. Ele que encontre a beleza em seu estado natural. Quando a temperatura sobe, seu corpo derrete sem se derreter, ela respira, se concentra e tem seus poros completamente fechados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-2092192749434744094?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/2092192749434744094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/10/um-coracao-de-porcelanato-fosco.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/2092192749434744094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/2092192749434744094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/10/um-coracao-de-porcelanato-fosco.html' title='Um coração de porcelanato fosco'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-pHi0xBRBkYQ/TpmSvZsspwI/AAAAAAAAAHM/HeEWIRtJsLA/s72-c/coracao-de-pedra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-7169723352626004283</id><published>2011-10-01T05:33:00.000-07:00</published><updated>2011-10-13T19:04:59.480-07:00</updated><title type='text'>Casamento sem amor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-9_AIb358JLM/TpeYvXkYRcI/AAAAAAAAAFI/8iuH62HEUnM/s1600/Alian%25C3%25A7a.ashx"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-9_AIb358JLM/TpeYvXkYRcI/AAAAAAAAAFI/8iuH62HEUnM/s320/Alian%25C3%25A7a.ashx" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663162995989562818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Jose cala frente à humilhação. Lea se vinga do seu destino torto. Ele ignora os fatos e ela, a sua presença. Sem diálogo não há esperança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-7169723352626004283?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/7169723352626004283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/10/casamento-sem-amor.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/7169723352626004283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/7169723352626004283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/10/casamento-sem-amor.html' title='Casamento sem amor'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-9_AIb358JLM/TpeYvXkYRcI/AAAAAAAAAFI/8iuH62HEUnM/s72-c/Alian%25C3%25A7a.ashx' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-1837844458629341029</id><published>2011-08-04T17:10:00.000-07:00</published><updated>2011-10-13T19:57:01.946-07:00</updated><title type='text'>Isolamento de contato</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-Axi0FlBzI3Y/Tpek983drOI/AAAAAAAAAGc/-bFpnxi6_ak/s1600/Solidao.ashx"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Axi0FlBzI3Y/Tpek983drOI/AAAAAAAAAGc/-bFpnxi6_ak/s320/Solidao.ashx" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663176440659422434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O ditador está de plantão&lt;br /&gt;Robusto, se ocupa de todos&lt;br /&gt;Como se por obrigação&lt;br /&gt;Sem pedir ou mesmo agradecer &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É cego para erros&lt;br /&gt;É surdo para sugestões &lt;br /&gt;É mudo para o acolhimento&lt;br /&gt;É lento para mudanças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discursa sobre o mundo &lt;br /&gt;Hermético e seguro&lt;br /&gt;Segundo o ângulo de sua janela&lt;br /&gt;E sofre calado as injustiças  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como existir se dentro há uma voz que grita&lt;br /&gt;E ainda não foi ouvida&lt;br /&gt;Pois pegou o sentido errado&lt;br /&gt;Rota de fuga, e não saída&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seda desejos, anestesia alegrias e entuba frustrações&lt;br /&gt;O coração fraco, rachado, se esfacela&lt;br /&gt;E às pessoas que mais ama&lt;br /&gt;Dá alta à revelia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-1837844458629341029?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/1837844458629341029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/08/isolamento-de-contato.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/1837844458629341029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/1837844458629341029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/08/isolamento-de-contato.html' title='Isolamento de contato'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Axi0FlBzI3Y/Tpek983drOI/AAAAAAAAAGc/-bFpnxi6_ak/s72-c/Solidao.ashx' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-7028664692843149582</id><published>2011-07-23T12:06:00.000-07:00</published><updated>2011-10-15T07:12:34.746-07:00</updated><title type='text'>Eu?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/--KhvKl_SkVQ/TpmUyBkOarI/AAAAAAAAAHY/TRL5kxmt1Z8/s1600/pintura%2Bmulheres.ashx"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 231px;" src="http://2.bp.blogspot.com/--KhvKl_SkVQ/TpmUyBkOarI/AAAAAAAAAHY/TRL5kxmt1Z8/s320/pintura%2Bmulheres.ashx" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663721593529854642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acordei às sete da manhã e pensei:- O que estou fazendo? Como vim parar aqui? Não me lembro de nada que aconteceu nas últimas horas. Será que alguém me trouxe para casa? Será que tem alguém aqui comigo? Levantei e comecei a procurar, não achei ninguém. Eu estava somente de calcinha, vestido jogado ao lado da cama que ainda estava feita. Pegadas negras me acompanham no chão por onde passo. Como não tinha ninguém e a chave estava na porta pelo lado de dentro concluí que fui eu mesma que tranquei. &lt;br /&gt;Menos mal. Brincos e pulseira no lugar. Ouço um barulho de água e vejo minha bolsa no tanque sendo molhada pela água corrente. Gelei. Será que fui tão burra a esse ponto? Graças a Deus tive a idéia de tirar o celular e a carteira com dinheiro e documentos de dentro dela, que ainda estava bem suja de vômito apesar da rápida lavagem.&lt;br /&gt;Minha cabeça pulsa tão forte que pode explodir a qualquer momento. Uma náusea desconcertante me impede de fazer qualquer coisa que tenha um sentido, só consigo deitar e tentar lembrar o que aconteceu. Meu pé dói e noto que, não sei como, estou com um caco de vidro cravado na sola esquerda. Era uma festa de casamento, estava muito feliz, dancei a noite inteira. Bebi cerveja no início da festa e depois, vodka. Já devia ter aprendido a não misturar as bebidas nas festas de adolescentes que freqüentei, mas, enfim, cá estou eu num estado deplorável.&lt;br /&gt;Ele me não tirou os olhos de mim a festa inteira. Depois de um mal estar inicial, fiz questão de cumprimentá-lo pra quebrar logo o gelo. Rápida conversa e eu tentei não demonstrar que dava muita importância àquele encontro, afinal depois de tanto tempo e de tudo o que ele me falou...  Mas, pela manhã estava gravada uma mensagem dele me pedindo para ligar quando acordasse. Achei simpático, afinal de contas, se preocupava comigo. Disse que cuidou muito de mim, me deu água e doce, que eu estava muito mal, e que só não fiquei pior porque ele tirou um copo de uísque da minha mão e me colocou num taxi. Não sem antes me beijar calorosamente e ouvir da minha boca que tinha saudades e que ainda o amava.&lt;br /&gt;E eu falei: - Duvido que estivesse bebendo uísque, tenha te beijado e ainda mais falado tanta besteira! Você está inventando...&lt;br /&gt;O que realmente aconteceu eu nunca vou saber, fico apenas com minhas suposições do que eu seria capaz de fazer, do que ele seria capaz de falar e do que nós ainda poderíamos sentir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-7028664692843149582?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/7028664692843149582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/07/eu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/7028664692843149582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/7028664692843149582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/07/eu.html' title='Eu?'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/--KhvKl_SkVQ/TpmUyBkOarI/AAAAAAAAAHY/TRL5kxmt1Z8/s72-c/pintura%2Bmulheres.ashx' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-8183343267282756393</id><published>2011-07-23T12:02:00.000-07:00</published><updated>2011-10-13T19:20:59.978-07:00</updated><title type='text'>A máquina de fazer</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-X8nuVmn0s_Y/TpechcsQZgI/AAAAAAAAAFs/XqfppJJ-j4I/s1600/PARATY.ashx"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-X8nuVmn0s_Y/TpechcsQZgI/AAAAAAAAAFs/XqfppJJ-j4I/s320/PARATY.ashx" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663167154893121026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quem nunca citou, em algum momento da vida, a famosa Lei de Murphy? É a máxima que fala que “Se alguma coisa pode dar errado na vida, certamente dará”. Os mais religiosos alegam que “Deus escreve certo por linhas tortas”, os sambistas que “não sou eu quem me carrega, quem me carrega é o mar”, e há ainda os amantes da astronomia que dizem que “ o destino está nas estrelas”. Cada um à sua maneira de se conformar com um fato desagradável. &lt;br /&gt;Foi mais ou menos o que aconteceu comigo neste final de semana prolongado. Programei a viagem com antecedência, comprei os ingressos, reservei pousada, tentei me informar sobre os assuntos e autores mais interessantes, mas não deu. Estive na FLIP de 2011 e perdi a melhor palestra, pelo menos a mais comentada. Não por causa da bela e esperada autora argentina, mas do calvo, sensível e simpático luso-angolano, Valter Hugo Mãe.&lt;br /&gt;Já tentei procurar no site oficial, Google e youtube, mas nem sinal... Fico imaginando como deve ter sido para ele estar ali naquele palco. O frio europeu no paraíso tropical deve ter sido estranho, o casario colonial provavelmente aproximou ainda mais os laços com as terras tupiniquins, novas cores, sabores e ares para seus pulmões. Inspiração para escrever uma carta tão simples e verdadeira que tocou o coração de todos. Brasil e Angola, jovens irmãs de sangue, filhas de um Portugal idoso e um pouco esquecido. Amor de pai, amor de filhas e todos falam a mesma língua.&lt;br /&gt;Confesso que achei meio piegas o fato de ter chorado no palco, falado que está querendo ser pai e que escreve apenas com minúsculas, em uma pontuação particular. Mas entendo que todos somos frágeis, cafonas, emotivos e ao mesmo tempo corajosos. Que acompanhar novelas também é hábito de escritores famosos, que todos criamos fantasias sobre lugares e pessoas, que todos temos um amor de infância que não sai da cabeça não importa quanto tempo passe, que podemos sentir amor por um filho que ainda nem foi concebido, que nem todas as músicas que gostamos de escutar são de bom gosto, mas que nada disso importa e ao mesmo tempo tudo isso é essencial para a nossa identidade. Da imperfeição vem a humildade, e da realização, as lágrimas.&lt;br /&gt;Certamente, ele já deve ter encontrado a mãe ou, considerando o fogo da mulher brasileira, mães para seus filhos, vendido muitos livros pelo país, ganhado fama de pop star, cansado do assédio dos fãs e da agenda lotada de compromissos e entrevistas. Sua vida não será mais a mesma depois daquelas ruas irregulares, não de conhecidas pedras portuguesas mas de calçamento pé-de-moleque, horizontes verdes e azuis e do sol brilhante da principal festa literária brasileira. Eu ainda não entendi a razão porque não fui àquela mesa na sexta-feira, talvez a encontre lendo seus livros, óleo otimista para a máquina de fazer sentimentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-8183343267282756393?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/8183343267282756393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/07/maquina-de-fazer.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/8183343267282756393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/8183343267282756393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/07/maquina-de-fazer.html' title='A máquina de fazer'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-X8nuVmn0s_Y/TpechcsQZgI/AAAAAAAAAFs/XqfppJJ-j4I/s72-c/PARATY.ashx' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-6904326176668422078</id><published>2011-04-27T15:26:00.000-07:00</published><updated>2011-10-13T19:28:30.173-07:00</updated><title type='text'>Sobre unhas, cutículas e esmaltes</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-GoIdjVZGeuE/TpeeO0E7W3I/AAAAAAAAAF4/4seQmqxAlwo/s1600/M%25C3%25A3os.ashx"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 227px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-GoIdjVZGeuE/TpeeO0E7W3I/AAAAAAAAAF4/4seQmqxAlwo/s320/M%25C3%25A3os.ashx" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663169033776356210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nunca achei interessante essa coisa de pintar as unhas.  É claro que ficam mais bonitas, mas para mim não faz sentido. Em primeiro lugar porque a pessoa ou vira escrava de salões de beleza ou tem que desenvolver técnicas quase contorcionistas que minha limitada coordenação motora não permite, para que consiga, enfim, fazer todos os movimentos com as duas mãos.&lt;br /&gt;Além disso, fico muito preocupada com a esterilização dos alicates e pauzinhos de madeira. Todos os salões dizem que seguem as normas da Anvisa, que todas as clientes podem ficar tranqüilas, que é um lugar muito sério e respeitado, etc. Ok, continuo não acreditando. Quando olho um instrumento desses penso: e se eu soubesse que a última pessoa a ter suas cutículas retiradas por ele tivesse uma doença transmissível, eu confiaria no processo de limpeza e usaria mesmo assim? &lt;br /&gt;Tudo bem, eu posso estar sendo paranoica demais, mas hoje em dia muias doenças são transmitidas assim, algumas hepatites por exemplo. E aquela aguinha nojenta para amolecer as unhas e peles? Não é à toa que muitas pessoas pegam micoses, vírus e bactérias até porque, no processo, estamos retirando uma importante barreira física à entrada de microorganismos: a cutícula. A vilã da maioria das mulheres é empurrada, raspada e extirpada em suculentos e dolorosos bifes pelas profissionais menos habilidosas.&lt;br /&gt;E na hora de secar todo o cuidado é pouco para não bater em nada nem borrar o esmalte. Para se ter noção como estou por fora do assunto, meu esmalte preferido é o “misturinha”, que não é fabricado há séculos. Informo aos desavisados que atualmente o mais parecido é o “renda”.  Cuidado também quando a unha está grande demais para não dobrar, quebrar e nem puxar fios de roupas. Já temos tantas preocupações e mais estas... Não suporto também o papo das manicures, cabeleireiras ou clientes, que só sabem falar de “notícias” das revistas Caras e das fofocas das pessoas do bairro que são atualizadas semanalmente. &lt;br /&gt;Nunca aconteceu comigo, mas quando a unha cresce pode inflamar a pele ao lado e resultar na famosa unha encravada que tanto inferniza a vida das pacientes e dos médicos de plantão, que, por não saberem o fazer com aquilo, chamam os dermatologistas para resolver a questão. Parece que tem que botar um calço na unha para levantar um pouco da pele, mas isso, eu nunca aprendi direito. &lt;br /&gt;O pior é que não faço as unhas por opção e ainda levo fama de roedora compulsiva. É claro que não digo isso para as pessoas, prefiro dar um motivo mais nobre, falar que é por causa do pandeiro que estou aprendendo a tocar e tenho de mantê-las sempre bem aparadas. É convincente e ainda saio com ar de pessoa cool. Gosto do original, do intocado e do imperfeito. Entre o saudável e o belo, fico com o primeiro e renuncio só um pouco do meu lado feminino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-6904326176668422078?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/6904326176668422078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/04/sobre-unhas-cuticulas-e-esmaltes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/6904326176668422078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/6904326176668422078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/04/sobre-unhas-cuticulas-e-esmaltes.html' title='Sobre unhas, cutículas e esmaltes'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-GoIdjVZGeuE/TpeeO0E7W3I/AAAAAAAAAF4/4seQmqxAlwo/s72-c/M%25C3%25A3os.ashx' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-663945202141652133</id><published>2011-04-27T15:24:00.000-07:00</published><updated>2011-10-13T20:06:17.784-07:00</updated><title type='text'>A colombina desconhecida e o pierrot molhado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-443R0klrXOI/TpenID6TS3I/AAAAAAAAAG0/Xr_k3IngHvc/s1600/Colombina%2Be%2Bpierrot.ashx"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 220px; height: 207px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-443R0klrXOI/TpenID6TS3I/AAAAAAAAAG0/Xr_k3IngHvc/s320/Colombina%2Be%2Bpierrot.ashx" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663178813372320626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Foi num bloco que eu a conheci. Alta, morena, músculos tonificados na medida certa entre um bom amasso e um carinho sincero, olhos claros e confiantes, lábio inferior mais carnudo que o superior.  Seu nome estrangeiro só aguçava ainda mais minha curiosidade e podia ficar ali conversando com ela horas apesar de todo o barulho que a bateria insistia em fazer. Eles tocavam muito bem, mas a música não passava de um ruído contínuo que escutávamos ao longe.&lt;br /&gt;Apesar de ser cedo, ela estava muito animada, bebemos algumas cervejas, ela falava muito, gesticulava tão graciosamente que era difícil não notar seu charme. O toque, o cheiro, os cabelos, o sorriso, as gargalhadas. Se o humor é uma virtude de poucos, ela estava entre eles. Então, em alguns minutos, notava-se uma grande sintonia e me sentia como um peixe preso no anzol.&lt;br /&gt;Foi quando começou a tocar o frevo do Caetano, que junto com a chuva fina que caía, fez todo mundo pular entre poças e guarda-chuvas, se abraçar e o inevitável aconteceu. Venha, veja, deixa, beija, seja o que Deus quiser! Um beijo cheio de desejo, vontade, delicadeza e carinho. Lábios que se querem, mãos que procuram e aquele frio na barriga. Não sentia isso há muito tempo, apesar dos últimos frustros romances.&lt;br /&gt;Logo, pegamos o bonde para descer as ladeiras com alguma segurança, se é que isso é possível atualmente no Rio de Janeiro, e chegamos ao meu apartamento. Ao chegar, nada de cerimônias, como se nos conhecêssemos há anos, nos instalamos e começou a chuva de peças molhadas sobre o sofá, rede, cadeiras e chão. Seus poros jorravam uma sensualidade que eu absorvia a cada toque, a cada olhar. Minha mão, que já havia percorrido, seios, quadris e coxas, agora era enluvada por sua mucosa castanha, macia e doce. Movimentos inusitados, reações de prazer e sussurros ao pé do ouvido. Nossos quadris naquela coreografia ritmada eram um convite a nunca mais sair de dentro dela.&lt;br /&gt; Era só o que eu lembrava quando acordei no início da noite e ela se arrumava para sair.&lt;br /&gt;- Eu te ligo mais tarde, você é lindo, obrigada pela hospitalidade, foi tudo incrível.&lt;br /&gt;Eu esperei até o dia seguinte e nada. Liguei algumas vezes, ela sempre simpática, com uma voz carinhosa, mas um pouco apressada e ocupada. Eu pensava nela o dia inteiro e eu realmente acreditava que aquela tarde significou alguma coisa para ela. Pobre pierrot! Para quem está apaixonado qualquer sorriso se transforma em declaração de amor.&lt;br /&gt;- Hoje não posso, amanhã vou sair com amigos, depois eu não sei. Não está nada certo, mas tenho alguns compromissos também com minha família.&lt;br /&gt;Cansada de cantar Não se perca de mim, não se esqueça de mim, não desapareça, hoje, quarta-feira de cinzas, jogo na fogueira do amor mais uma quase-paixão. E se ela me amasse? E se tivesse me ligado no dia seguinte conforme o combinado? E se demonstrasse um pouco do cuidado que dizia ter por mim? Aí, folião, não seria carnaval, e o pierrot molhado não teria perdido a cabeça e não teria se embolado com a colombina desconhecida que conheceu naquela manhã chuvosa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-663945202141652133?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/663945202141652133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/04/colombina-desconhecida-e-o-pierrot.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/663945202141652133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/663945202141652133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/04/colombina-desconhecida-e-o-pierrot.html' title='A colombina desconhecida e o pierrot molhado'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-443R0klrXOI/TpenID6TS3I/AAAAAAAAAG0/Xr_k3IngHvc/s72-c/Colombina%2Be%2Bpierrot.ashx' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-3632068514981795545</id><published>2011-02-24T11:25:00.000-08:00</published><updated>2011-10-13T20:13:23.301-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Comadres'/><title type='text'>Pequenas coisas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-gY9syOYFjZc/TpeozawG0sI/AAAAAAAAAHA/a0opIDJosb8/s1600/fuxico.ashx"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-gY9syOYFjZc/TpeozawG0sI/AAAAAAAAAHA/a0opIDJosb8/s320/fuxico.ashx" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663180657749578434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sou igual a todas as mulheres. Gosto das pequenas coisas, dos detalhes mais inúteis e discretos, dos ciscos despercebidos. Meu ex-marido não entendia isso. Não que tivesse salvado a relação, mas talvez uma máscara de dormir tivesse evitado algumas das nossas discussões, onde brigávamos pelas cortinas, eu querendo o escuro e ele, a brisa da manhã. &lt;br /&gt;Gosto geralmente dos meninos que fazem sucesso com todas e é claro que essas relações nunca dão certo, porque ou eles são comprometidos ou galinhas ou os dois. Esse fim-de-semana fui num festival de jazz bem legal. Acho incrível como o mesmo padrão se repete em todas as bandas. O cara da percussão me encanta com todos os ritmos, instrumentos e afro-sex-appel. O da guitarra é sempre exagerado, espalhafatoso, histriônico, o famoso sem-noção. O do baixo, discreto, sério, compenetrado, de uma timidez intrigante.&lt;br /&gt;Sou carente e ciumenta. Acho que nossa constante idéia fixa é de que não nos dão nosso devido valor. Seria uma conseqüência de séculos e séculos de opressão? Não gosto de receber ordem nem cobrança. Quero que escutem minha opinião e a levem em consideração. Quero que se interessem por mim, que me descubram literal e praticamente.&lt;br /&gt;Tenho um fetiche muito comum: professores. Desejo a pessoa pelo que ela sabe, pelo que poderia aprender com ela. E isso me persegue desde o primeiro grau. Seria uma forma de compensar minha ansiedade e insegurança? Pois bem, nem pra isso sou criativa.&lt;br /&gt;Desde criança tenho as coleções mais diversas. Uma das mais estranhas é a minha coleção de pedras. Minha mãe nunca entendeu por que eu colecionava aquilo, além de dar muito trabalho a ela na hora das mudanças e arrumações. Mas elas eram especiais para mim, cada uma com sua história, desenho, material, ranhuras. Valorizo as ranhuras.&lt;br /&gt;Gosto de almofadas. Quer coisa mais inútil e comum que almofadas? Pois é, preciso de almofadas. Preciso por que gosto e pronto, não tenho que me justificar. Cada um com seu gosto, uns tem quatro bicicletas, outros três câmeras fotográficas, outros, dois computadores.&lt;br /&gt;Parte do corpo favorita? Antebraço.  Dá pra identificarmos a personalidade pelo formato dos ossos e musculatura. A virilidade pode-se perceber indiretamente pelos pêlos estimulados pela testosterona. Analiso as articulações... Tenho um cisto no meu punho. Acho que é no tendão do músculo do polegar. Isso diz muita coisa de mim, revela que sou frágil sob pressão, se fizer força e mau jeito ele incha e dói muito. Sofro de um problema de junta, de conexão, de mau contato, tá explicado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-3632068514981795545?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/3632068514981795545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/02/pequenas-coisas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/3632068514981795545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/3632068514981795545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/02/pequenas-coisas.html' title='Pequenas coisas'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-gY9syOYFjZc/TpeozawG0sI/AAAAAAAAAHA/a0opIDJosb8/s72-c/fuxico.ashx' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-5552374963194734451</id><published>2011-02-13T18:56:00.000-08:00</published><updated>2011-10-13T19:33:32.455-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crises'/><title type='text'>Motamorfose autofágica</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-T7pzZUYa4QI/TpefcyzStSI/AAAAAAAAAGE/_6oiIglfA0s/s1600/autofagia.ashx"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-T7pzZUYa4QI/TpefcyzStSI/AAAAAAAAAGE/_6oiIglfA0s/s320/autofagia.ashx" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663170373463749922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sou feita de pena e sangue, delicadeza e dor. Minha beleza não é comum. Me chamam de meiga, mas posso ser cruel. Nunca levantei nenhuma suspeita desse meu outro lado, nunca errei. E você me quer assim, singela, doce e perfeita. Porém, estou enjoada de mim, me quero ácida, me quero farta, me quero toda. A coragem que me move é grande e inevitável.&lt;br /&gt;E, por isso, a metamorfose, que pode não ser completa, mas está em andamento. Me visto de mim, meu recheio sou eu. O que sou capaz de fazer? Há quem duvide. Beijar você, ela, ele, arrastar todos comigo. Te magôo, me magôo e ninguém compreende. Me entrego em seus braços e gozo. Mais de uma vez, lindamente. Vivo dez anos em uma semana e rejuvenesço.  Experimento o que é bom e desconhecido.&lt;br /&gt;Como quem se delicia com o fruto proibido, vou comendo lentamente pedaço por pedaço de meu corpo amorfo. E, rapidamente, sem que nem eu mesma perceba, ele renasce para me servir de alimento mais uma vez. Autofagia transformadora ao som dos grunhidos de horror. Sou eterna e tenho um novo rosto. Meus olhos vermelhos de mar te chamam.&lt;br /&gt;Dance comigo esse Lago dos Cisnes, onde a morte é o caminho da liberdade. Segure minha mão bem forte porque a vida é curta e o sofrimento é grande. Não lamente a perda ocorrida, pois ela tinha que acontecer. Meu ventre agora sangra, e, em teus lábios surpresos, renasço forte e certa de que fiz o meu melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-5552374963194734451?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/5552374963194734451/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/02/motamorfose-autofagica.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/5552374963194734451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/5552374963194734451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2011/02/motamorfose-autofagica.html' title='Motamorfose autofágica'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-T7pzZUYa4QI/TpefcyzStSI/AAAAAAAAAGE/_6oiIglfA0s/s72-c/autofagia.ashx' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-3457191914095117400</id><published>2010-12-25T20:04:00.000-08:00</published><updated>2011-10-13T19:50:54.797-07:00</updated><title type='text'>Noite feliz</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-RXRyXsI9OQk/TpejhiEL8LI/AAAAAAAAAGQ/UysfAYLlq6A/s1600/lagrima.ashx"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 270px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-RXRyXsI9OQk/TpejhiEL8LI/AAAAAAAAAGQ/UysfAYLlq6A/s320/lagrima.ashx" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663174852917063858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Era vinte e cinco de dezembro à noite. Enquanto muitos iam a confraternizações, Luisa pensava nele. Uma coisa ela tinha que admitir: ainda o amava. Dois anos já se passaram, muita coisa aconteceu e ela seguia só. É estranho pensar que ele não existe mais. Na verdade, o Beto com quem ela dividiu tantos momentos bons, que lhe ensinou tantas coisas, que a fez sofrer, chorar, crescer se transformou em outra pessoa. Mas ela também se transformou. Então é isso, não existe mais ela nem ele. O que nos leva a concluir que ela ama um fantasma, uma lembrança.&lt;br /&gt;Foi estranho quando entrou no seu Facebook. Rostos conhecidos mais maduros. Como ele está bem! Deduziu que ele se encontrou, se libertou, se tornou mais leve física e espiritualmente. Logo lembrou que isso ela não podia levar em consideração já que a autopropaganda era o forte do rapaz, e o que estava sendo mostrado podia muito bem não corresponder à realidade. É incrível como há homens que basta estarem acompanhados não importa de quem que são as pessoas mais felizes do mundo, e o caso de Beto não era diferente. Lugares que freqüentou, a boca que beijou, o carro que já dirigiu, toda uma vida agora com outra mulher ao lado.  Felicidade, ciúme, raiva, indignação. Quantos sentimentos somos capazes de juntar em apenas um segundo? Como se chama o sentimento de paz interior de Luisa por ver que Beto está feliz? Como se é capaz de amar e querer distância da pessoa amada? O que fazer quando se quer falar, mas ao mesmo tempo não há diálogo? Um turbilhão de perguntas rondam a cabeça da pobre Luisa. Em meio a tanta divagação olhou para o espelho e ficou desanimada com o que viu. Olheiras gigantes, cabelo despenteado, roupa amassada de anteontem. Antes que pudesse pensar em alguma coisa levantou e começou a andar pela casa, nervosa, decidida a tomar uma atitude, além de desligar o computador idiota. &lt;br /&gt;- Preciso me maquiar, é isso. Mulher nenhuma é triste maquiada. Então começou a pintura que de tanto fazer, já se tornou rápida e eficaz. Próximo passo foi sair de casa, e ir até a esquina comprar um chiclete no posto de gasolina. Só de sentir a brisa no rosto, o movimento dos carros, das pessoas foi melhorando. Como um ato tão simples pode desestabilizar completamente uma pessoa que estava tão bem? Luisa só quer que aquele equilíbrio conquistado seja eterno como o chiclete que está na boca, doce e refrescante. Nada mais adequado para sua noite feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-3457191914095117400?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/3457191914095117400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2010/12/noite-feliz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/3457191914095117400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/3457191914095117400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2010/12/noite-feliz.html' title='Noite feliz'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-RXRyXsI9OQk/TpejhiEL8LI/AAAAAAAAAGQ/UysfAYLlq6A/s72-c/lagrima.ashx' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-4996730811996781741</id><published>2010-09-30T10:34:00.000-07:00</published><updated>2011-10-23T11:30:54.345-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Para o Clube da leitura'/><title type='text'>Almoço de família</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-NmoiM_x1mEA/TqRdVWRsOqI/AAAAAAAAAHk/bPOOs4_Y6kA/s1600/invis%25C3%25ADvel.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 311px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-NmoiM_x1mEA/TqRdVWRsOqI/AAAAAAAAAHk/bPOOs4_Y6kA/s320/invis%25C3%25ADvel.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666756852477344418" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Antônio e Larissa se conheceram no escritório onde trabalham. Ambos são advogados, ele, um dos sócios, e ela recém-formada. Sentiram uma atração inexplicável, logo começaram a sair juntos, cinemas, restaurantes, muitos pontos em comum. O sexo era simplesmente fantástico, tinha algo de poético, de especial, fazia com que parecesse que estavam num dos filmes do Bertolucci. Ficavam se perguntando como conseguiram viver até agora um sem o outro e, em um mês, já estavam namorando.&lt;br /&gt; Ela, completamente apaixonada. Ele gostava dela, pois com ela ele se sentia importante. Falava com ela com seu ar professoril, sempre com razão sobre tudo. Ela era jovem e ansiava por conhecimento e experiência, que logicamente, buscava nele. Ele, sempre seguro e intenso em cima do palco que era sua vida, precisava de aplausos. Sentia que ela dependia emocionalmente dele, o admirava e respeitava e, portanto, estaria ao seu lado em qualquer momento, em qualquer circunstância, fiel como um cão. Ela gostava dos seus amigos e estava prestes a conhecer a sua família:&lt;br /&gt; -Boa tarde papai, mamãe. Queria apresentar a minha namorada, Isabel. Esses são meus irmãos, Pedro e Lucas.&lt;br /&gt; - É o mesmo nome de uma amiga minha. Que coincidência...&lt;br /&gt; - Ah, desculpe,... Isabel não, Larissa. Isso que eu quis dizer.&lt;br /&gt; -O que é isso, meu amor!? Mas ...você já teve alguma namorada com esse nome? Uma amiga? Conhece alguém?&lt;br /&gt; - Não, meu amor. Juro, nunca tive nenhuma pessoa próxima com esse nome. Apenas troquei seu nome por um outro qualquer! Qual o problema, gente?! Por que me olham assim? Quem nunca trocou nomes?&lt;br /&gt;        Enquanto a família toda se sentava à mesa para o almoço de domingo, Larissa olhava pensativa a paisagem na janela e refletia em silêncio sobre o diálogo que acabara de acontecer.&lt;br /&gt;        - Não há nada pior que estar no mesmo nível de significância que uma pessoa qualquer. Antes tivesse me trocado por uma ex-namorada, pois pelo menos seria alguém que teve um significado para ele! Melhor pensar que foi um engano mesmo, como ele disse, que foi só uma inocente troca de nomes.&lt;br /&gt;        Não foi desatenção, foi descuido. Mas isso, ela só descobriria anos mais tarde, depois dos aniversários esquecidos, das festas de família e dos amigos que teve de ir sozinha, dos enterros de parentes que, afinal de contas eram programas muito chatos, que ele não estava a fim de fazer, dos cinemas desmarcados em cima da hora depois dos ingressos já comprados, dos jantares esquecidos, que não podiam competir com outras coisas mais importantes. E, então, um dia, ela acordou diferente, nascia em seu peito uma nova mulher. Seria agora Isabel?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-4996730811996781741?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/4996730811996781741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2010/09/almoco-de-familia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/4996730811996781741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/4996730811996781741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2010/09/almoco-de-familia.html' title='Almoço de família'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-NmoiM_x1mEA/TqRdVWRsOqI/AAAAAAAAAHk/bPOOs4_Y6kA/s72-c/invis%25C3%25ADvel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-900415970063142591</id><published>2009-12-20T13:38:00.000-08:00</published><updated>2011-10-13T19:16:54.394-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trabalho'/><title type='text'>Residente persistente</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-HSfupWI_BIQ/TpebjPagrqI/AAAAAAAAAFU/TCh2kmLAjWM/s1600/medica.ashx"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-HSfupWI_BIQ/TpebjPagrqI/AAAAAAAAAFU/TCh2kmLAjWM/s320/medica.ashx" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663166086177140386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ser médico no Brasil. De onde tirei essa idéia? Afinal, com tantas profissões para escolher com mais status, glamour e reconhecimento, por que me dedicar a cuidar da saúde alheia? Já me formei há três anos e ainda me pergunto por que marquei cento e cinqüenta na maldita inscrição do vestibular.&lt;br /&gt; Sempre gostei de estudar, me interessava por quase todos os assuntos na escola, menos matemática, que para mim sempre foi uma ciência além do alcance, abstrata, quase tão infinita quanto o universo ou a eternidade. Por mais que me esforçasse, precisava de referenciais mais concretos, mais palpáveis, mais humanos.&lt;br /&gt; Acho que o que me fez optar foi a minha solidão da adolescência associada à curiosidade pela biologia do ser humano e ao impulso quase involuntário de ajudar os outros. Eu precisava da complexidade da relação com a outra pessoa, pois só através dela eu ia crescer. Queria, ao mesmo tempo, estudar as doenças e as pessoas.&lt;br /&gt; Então, na busca dessa dualidade entre o científico e o romântico, entre a médica e a naturalista, ingressei na Faculdade de Medicina. Atravessei essa fase sem muitas dificuldades, blindada pelo efeito protetor da academia. E foi realmente na residência médica, período de treinamento em serviço, uma espécie de intermédio entre estágio e emprego, é que realmente vi a realidade da profissão.&lt;br /&gt; Ainda sou residente e serei ainda por alguns anos, infinita formação... Minha condição é a mais ingrata, pois ainda não posso responder plenamente por meus atos e dependo de famigerados supervisores. Para eles, nada é problema, pois o comentário é sempre o mesmo:&lt;br /&gt; - Na minha época era muito pior. Não sei do que vocês estão reclamando. Se tivéssemos pessoal suficiente, não precisaríamos de vocês. Não tenho obrigação nenhuma em ajudar vocês, pois sou professor. Meu lugar é na frente do quadro negro, e não ganho como médico. &lt;br /&gt; E estão sempre prontos a condenar os pobre-coitados como preguiçosos, chatos, malucos, burros ou aproveitadores. Quando você faz alguma coisa boa que deu certo, ninguém te agradece ou parabeniza, pois é somente sua obrigação. Dar plantões infernais de vinte e quatro horas sozinho, sem descanso, trabalhar em precárias condições por oitenta horas semanais, receber um salário de miséria pela responsabilidade assumida, ser desrespeitado por todo e qualquer ser humano, desde chefes, colegas, médicos, professores, pacientes, acompanhantes, funcionários é apenas normal. Carregar esse peso, esse verdadeiro piano de cauda durante tanto tempo... Confesso que estou cansada de ser escravizada em troca de conhecimento. Sou muito grata pelo que aprendi, mas gostaria de ser respeitada. Seria pedir muito?&lt;br /&gt; É aceitável um médico estudar seis anos, fazer quatro anos de residência, se dedicar com o máximo esmero ao tratamento de seus pacientes, inclusive daquele pobre adolescente com leucemia, sem doador compatível, que não responde a nenhum tratamento, agonizando e sem a menor chance de cura, e mesmo assim passa noites em claro ao seu lado para lhe dar conforto, receber vassouradas da mãe desequilibrada que não aceita a morte do filho? Apesar de te sido informada da gravidade do quadro, ela não admite a situação e por isso se arma com o primeiro objeto que encontra na frente e sai numa corrida tragicômica pelos corredores da enfermaria aos berros atrás do “responsável” pela morte do seu filho? Vivo numa barbárie e tenho que aprender diariamente a conviver com a morte, o terrível, a injustiça, a miséria, o incompreensível, o natural.&lt;br /&gt; Acho que só agüento viver assim porque sou boba, porque não tenho grandes ambições e porque tenho boa-fé, Compro gato por lebre a todo momento e fico feliz. Sigo minha vocação tranqüila pois confio em mim e sei que estou fazendo o melhor pelo paciente. Sinto grande satisfação no meu trabalho e isso é a minha prazerosa recompensa. Visto-me de uma boa-aventurança e, com ela, ganho sabedoria e liberdade para viver. Porém, tudo tem limite e chega um ponto que nem a poesia das relações que me permite ver, ouvir e tocar o mundo é capaz de sustentar a vida de residente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rio de Janeiro, 17 de Dezembro de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-900415970063142591?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/900415970063142591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/12/residente-persistente.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/900415970063142591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/900415970063142591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/12/residente-persistente.html' title='Residente persistente'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-HSfupWI_BIQ/TpebjPagrqI/AAAAAAAAAFU/TCh2kmLAjWM/s72-c/medica.ashx' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-3554745479526155300</id><published>2009-12-13T11:08:00.000-08:00</published><updated>2010-01-14T15:13:28.608-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Batuque'/><title type='text'>Carnaval IV   –   Chocalhos</title><content type='html'>Assim mesmo, no plural. Como na Biologia, são um gênero que abrange várias espécies: rocar, ganzá, xequerê , caxixi,... Seus múltiplos sons são diferentes entre si, mas têm algo em comum. Eles são a pimenta do bobó, o dendê da moqueca, a laranja da feijoada, o açúcar do café. &lt;br /&gt; Sua presença não é fundamental, mas sem eles a música não tem graça. Quando agitados, dão vida às canções, imprimindo gingado, suingue, malícia e improviso. Fazem os acordes mais leves e espontâneos.&lt;br /&gt; Para quem escuta, é mais do que isso, representa a tradução musical da dança. É o arrastar dos chinelos no salão, o roçar sensual das barrigas que se tocam ou o tímido jogo de ombros da cabrocha faceira.&lt;br /&gt; Encanto-me em descobrir as levadas. Experimentar os sons dos diferentes tipos de areia e semente dentro do oco cilindro de alumínio ou da cestinha de palha. Chacoalhar as miçangas fora da gorducha moranga, achar a matemática certa para coincidir com os tempos da música...  e percebo que sou destra na arte do agitamento rítmico! Como uma coisa tão simples pode ser tão importante e dar tanto prazer? Considero ser esta uma nova possibilidade de linguagem, tendo nas mãos instrumento que é, na realidade, uma continuação do meu corpo e  que fala por si.&lt;br /&gt; Às vezes, me desligo, entro em transe, instintivamente toco e vejo no que dá. Em geral é quando toco melhor. É só cair em mim e perceber o que estou fazendo que me dá um curto-circuito cerebral, me descoordeno e começo a errar.&lt;br /&gt; Dependendo da música, pode ser uma atividade absolutamente extenuante, samba e quadrilha, principalmente. É um ritmo tão acelerado que antes de começar, tenho sempre a impressão que não vou conseguir. Depois de alguns minutos, o braço começa a queimar e a ficar duro. A musculatura peitoral também fica dolorida, um calor infernal, respiração ofegante, suor brotando de todos os poros, o rosto corado pelo esforço. Praticamente um exercício aeróbio, uma corrida, um pique de duzentos metros. Ainda bem que não é o tempo todo assim, e as levadas mais calmas compensam e permitem o breve descanso.&lt;br /&gt; Sua pegada deve ser leve, deixando o instrumento solto nas mãos, livre para criar. Aproveitar cada movimento de ida e volta, ele pode estar como pode não estar. E quando está, é de forma ao mesmo tempo despretenciosa e marcante, expressiva. É uma combinação de seriedade com brincadeira, praticamente impossível não notá-lo.&lt;br /&gt; No rocar, as platinelas fazem um barulho extremamente alto, dependendo do lugar onde esteja acontecendo, podem realmente ser incovenientes. Mas, onde estou, no coração da bateria, cercada na frente pelos alegres tamborins, nos lados pelos agogôs, atrás pelas caixas e repiques e ao fundo pelos potentes surdos, ignoro qualquer desconforto. Ouço tudo harmonicamente e doso, na medida certa, o meu precioso tempero nesta salada musical.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-3554745479526155300?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/3554745479526155300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/12/carnaval-iv-chocalhos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/3554745479526155300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/3554745479526155300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/12/carnaval-iv-chocalhos.html' title='Carnaval IV   –   Chocalhos'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-7604153895040363674</id><published>2009-11-22T09:56:00.000-08:00</published><updated>2009-12-06T15:16:31.133-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Batuque'/><title type='text'>Carnaval III – Cuíca</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Calibri"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;          E, então, fico parada quase duas horas olhando... Quem som mais estranho! Prende totalmente minha atenção e os demais instrumentos ficam em segundo plano. Como se toca? Qual seria sua escala musical? Como foi criado? É um instrumento tipicamente brasileiro, porém ainda enigmático para muitos de nós.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Calibri"&gt;          Seu nome é simpático, tem um quê de ingenuidade e simplicidade. Não poderia ser diferente, já que é um instrumento popular, introduzido no Brasil pelos escravos. Às vezes acho que seu som se assemelha ao de um grito preso na garganta, e por isso sai distorcido e frenético. Quando fecho os olhos, imagino um pântano sombrio e escuto o canto dos sapos brejeiros. Sob a forma de &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT" style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Calibri; mso-ansi-language: PT"&gt;grunhidos, gemidos, soluços e guinchos, e&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Calibri"&gt;les exaltam o samba e garantem beleza para a música, a tornando especial.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Calibri"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;          Das gargantas dos sapos no fundo do brejo lamacento para o esplendor esfuziante do carnaval na avenida em milésimos de segundo, apenas com o abrir dos olhos. Fundamental para a cadência maliciosa das mulatas que brilham com suas coreografias acrobáticas na frente da poderosa bateria.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: Calibri"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;            &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;          A questão é como, através de movimentos de ida e volta, dentro daquele cilindro metálico e com o auxílio da mão que pressiona a pele externa, se consegue produzir sua música? Minha imaginação é incapaz de criar uma forma de fricção que imite o ronco da cuíca selvagem. Um dia ainda decifro teus mistérios, ó cuíca, esfinge do samba.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Rio de Janeiro, 28 de Setembro de 2009&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-7604153895040363674?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/7604153895040363674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/carnaval-iii-cuica_22.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/7604153895040363674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/7604153895040363674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/carnaval-iii-cuica_22.html' title='Carnaval III – Cuíca'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-6932984104118167441</id><published>2009-11-22T09:55:00.000-08:00</published><updated>2009-11-22T09:56:38.741-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Batuque'/><title type='text'>Carnaval II - Primeira</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Sou primeira. Sou primeira porque é o surdo marcador, surdo de base. Ele é fundamental, determina a levada de toda a bateria e é o coração do samba. Pulsa grave e forte e leva consigo uma multidão de alegres foliões.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Antes de começar, faço o alongamento necessário para suportar o enorme tambor. Visto o talabarte curto e escarlate e o ajusto em minha cintura. Sinto todo o peso e responsabilidade da bateria em minha lombar. Uma nota errada põe tudo a perder. Concentração!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Em uma mão a maceta, com seu feltro já gasto de tanto castigar o tímpano cansado, na outra nada, livre. Esta abafa o couro tremedor e faz o contraponto. Tum-bin, tum-bin, tum-bin. Pedi pra parar, parou! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;É uma questão de ritmo que segue até a convenção. Para então acelerar o compasso em uma espécie de taquicardia sonora, impulsionando o sangue que, nas veias, estava calmo e tranqüilo, como um rio de águas barrentas desembocando no mar. Temos agora uma pororoca musical energizante e revolucionária.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Não tampo meus ouvidos. Estão completamente abertos, assim como meu peito, que vibra junto com a potente membrana cilíndrica. Remete- nos às civilizações mais primitivas e é a minha rudimentar maneira de comunicação, me deixa em estado de graça e permite que eu exponha meu núcleo hermético, neutro e frágil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Pulso sincronizada com os demais surdos, segunda e terceira, nesta harmônica família percussionista. Eles respondem, cortam e provocam o primeira, que mantém a cadência principal e não se deixa levar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Há diálogo também com os outros naipes, mas nenhum instrumento é como ele. Tamborim, agogô e rocar são exemplos da beleza do samba. Mas neste momento, eu dispenso a beleza e quero a identidade! Despeço-me disso tudo sem desilusão. Apenas não faz mais sentido. É indispensável! Preciso sentir a essência do samba em sua batida mais pura, a batida primeira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Rio de Janeiro, 24 de Agosto de 2009&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-6932984104118167441?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/6932984104118167441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/carnaval-ii-primeira_22.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/6932984104118167441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/6932984104118167441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/carnaval-ii-primeira_22.html' title='Carnaval II - Primeira'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-6928741855070110745</id><published>2009-11-22T09:54:00.000-08:00</published><updated>2009-11-22T09:55:42.629-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Batuque'/><title type='text'>Carnaval I - Tamborim</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;É carnaval! Como, se estamos em julho? É que carnaval é um estado de espírito, não tem qualquer relação com a época do ano. Que bom! Podemos, então, pular carnaval o ano todo nos redutos perenes do samba. Batuque bom e convidativo, que encanta e que está a alcance de todos.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Uma bateria uníssona composta de muitos instrumentos. Qual escolher? Identifiquei-me com o intrigante e nada discreto tamborim. Leve, portátil e barato. Quem olha de longe não faz idéia de como é difícil tocar! Um, dois, três, quatro. Um, dois, três, quatro. Por que o som da volta é diferente do da ida? Mais uma vez, agora mais rápido: um, dois, três, quatro. É... tocar rápido não é fácil e o braço fica duro de ansiedade. Com o tempo, aprende-se que o mais difícil no tamborim é justamente não tocar e esperar o tempo certo. A respiração ajuda, os momentos de pausa são essenciais porque música é feita de som e silêncio, caso contrário seria um ruído contínuo e monótono. Espera, espera... agora!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;No aprendizado do tamborim, a repetição é a chave de tudo. A memória não é apenas sonora, mas também corporal. Uma das vantagens deste instrumento é que podemos dançar e tocar ao mesmo tempo. Pode parecer estranho, mas fazer as duas coisas juntas é mais fácil do que apenas tocar. Muitas coreografias foram criadas e eu mesma posso inventar as minhas. Ao longo das aulas, vou pegando intimidade com a pele plástica e estridente e percebo que é preciso usar os braços em movimentos sincronizados de bíceps em ida e volta, que com a experiência, se tornam despreocupados,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Mas ele não está sozinho, sob a regência das caixas e dos chocalhos, ele dialoga com os surdos, repiques e agogôs. Diálogos ora simples, ora complexos, em meio a levadas, subidas, breques, bossas, venenos e hang-looses, sempre compondo ritmos originais e empolgantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Sem dúvida, é um instrumento tipicamente carioca, já que tem em sua alma toda a malandragem descolada e informal da Lapa. É extremamente sedutor. Pego na baqueta levemente, como que não querendo pegar, toco em ritmo frenético como se fosse trivial, danço relaxadamente, sorrio, paro, espero e tudo recomeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Ao som do tamborim não dá para ficar parado. Seu som agudo e ensurdecedor entra pelos ouvidos e penetra em todo o sistema músculo-esquelético de quem está por perto. Uma verdadeira metralhadora: um, dois, três, quatro num carreteiro infinito. Quero você, quero você, quero você - grita o tamborim para a mulata bonita que samba sincopada com os olhos fixos no rapaz despretensioso e simpático. Isso é carnaval: ritmo, alegria, sensualidade e sedução.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Será que chove, será que chove?&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Me empolgo a qualquer hora e Esse é o bom! Cada dia mais, as pessoas sabem que com o Bangalafumenga sambo pela beirinha e de qualquer maneira pelas ladeiras do Cosme Velho ou com os Escravos na Praça Mauá hoje, amanhã e sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Rio de Janeiro 30 de Julho de 2009&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-6928741855070110745?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/6928741855070110745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/carnaval-i-tamborim_22.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/6928741855070110745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/6928741855070110745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/carnaval-i-tamborim_22.html' title='Carnaval I - Tamborim'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-6277749937433872362</id><published>2009-11-22T08:05:00.001-08:00</published><updated>2009-11-22T08:05:52.958-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamentos'/><title type='text'>O temporal</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Há dias não chove. Não sei o que há com esta cidade, com o país, com o mundo. Maldito efeito estufa! Está tudo tão seco! Como é possível depois de quase um mês de um sol sem trégua, de um calor senegalês, não termos uma gota da água sagrada dos deuses?&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;          &lt;/span&gt;Já estava mais do que na hora. No fim da tarde, as nuvens negras cobrem o céu e uma brisa agradável chega às ruas. E com ela, vem um dos melhores cheiros do mundo: o cheiro da chuva. Sim, ela está chegando. Logo se sente os primeiros pingos, ainda fracos, porém constantes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;          &lt;/span&gt;Dentro de pouco tempo eles tomam uma força extraordinária. Estrondos são ouvidos em volume ensurdecedor. Clarões e relâmpagos cortam o céu. O horizonte se turva e a natureza mostra todo o seu poder. As gotas, então, se tornam mais fortes e, quando sentidas, doem. Há quem goste de tomar banho de chuva, mas não é o meu caso. Gosto de ficar dentro de casa, de preferência de frente para o mar, próxima a uma janela bem ampla e em frente, uma varanda. E eu estou lá, protegida, assistindo ao grande espetáculo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;          &lt;/span&gt;Se, por acaso, estiver ocorrendo uma ressaca no mar, melhor ainda. Para o programa se tornar perfeito só falta uma coisa. Engraçado o ser humano... Pode-se dizer que um grande temporal me excita, aguça meus sentidos. O olhar, a mão, o toque, o beijo, os carinhos, tudo fica mais intenso. Ter a sensação que o mundo está acabando, de que nada mais importa fortalece o aqui e agora. Perco o pudor e a timidez naturais, ouso. Então, o momento torna-se mais do que especial, é o último instante antes do fim do mundo. Tudo vale.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;          &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-6277749937433872362?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/6277749937433872362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/o-temporal.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/6277749937433872362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/6277749937433872362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/o-temporal.html' title='O temporal'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-7473362838082513765</id><published>2009-11-22T08:01:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T17:29:41.041-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trabalho'/><title type='text'>Febre</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Simples assim. É o aumento da temperatura corporal. Tem inúmeras causas e por isso intriga e ameaça os médicos. De que o indivíduo sofre? Por que não consigo descobrir? Torna-se uma espécie de atestado de incompetência profissional. É uma ferida aberta no peito dos vaidosos deuses da arte de curar.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;          &lt;/span&gt;E, como tudo na medicina, quando não se encontra a causa, a culpa é sempre do mais fraco, a culpa é do doente. Diferente dos leigos, no meio médico não se diz que a pessoa teve ou apresentou febre. É mais cômodo falar que o paciente fez febre. Ora, que injustiça! Que covardia daqueles que exercem sua vocação através do cuidar! Agora, além de padecer da sua enfermidade, de sofrer com seus sintomas e tormentos, o paciente é também responsável por ela? Ele faz a febre. A fabrica. Ele é o responsável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;          &lt;/span&gt;Mas não, as estrelas de branco não podem ser ofuscadas por um sintoma tão antigo e banal. Por isso, de cima de seu pedestal sagrado lançam mão de suas armas: antibióticos, é claro. Mas será que eles farão efeito? Será que debelarão a terrível moléstia? Não se pode transparecer a dúvida ou insegurança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;          &lt;/span&gt;E, por isso, utilizam as palavras mais difíceis, as linguagens mais ininteligíveis, criam neologismos, verbos, enfim, uma nova língua, afinal, eles podem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;          &lt;/span&gt;- Ele &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;defervesceu&lt;/i&gt;? Já foi identificado o germe? Podemos &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;desescalonar&lt;/i&gt; o antibiótico?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;          &lt;/span&gt;Não é nada fácil. É preciso muita criatividade para manter a pose e a impressão de que tudo está sob controle.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;          &lt;/span&gt;Sim, doutor, a febre cessou, parece que a doença está controlada. Imediatamente seu ego se infla novamente. Ele levanta sua sábia cabeça, outrora pensativa e sorri aliviado. Ganhou mais uma batalha. E então vem a pergunta:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Até quando manter o tratamento?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;A resposta exige ciência, muito estudo e também experiência. Ele já mostrou seu dom, todos reconheceram. Então ele pára por um minuto e pensa: manter por um número de dias múltiplo de sete e nunca suspender na sexta-feira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;          &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-7473362838082513765?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/7473362838082513765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/febre.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/7473362838082513765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/7473362838082513765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/febre.html' title='Febre'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-3898887602402165745</id><published>2009-11-22T07:53:00.000-08:00</published><updated>2009-11-22T08:04:53.748-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Relacionamentos'/><title type='text'>Meu ritual</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Antes de te encontrar eu me maqueio, e o ambiente tem que ser perfeito para esse ritual. Claro, iluminado, limpo, estéril, para que não contamine nada durante a minha viagem para dentro de mim mesma. Gostaria de ter aqueles espelhos de camarim com lâmpadas em volta e uma penteadeira cheia de estojos de maquiagem. É o meu enorme arsenal de guerra que uso para disfarçar minhas olheiras, corrigir minhas imperfeições, manchas, espinhas e também para valorizar meus traços e minhas virtudes.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;Por favor, não pense que faço isso por você! Há tempos não faço coisas para os outros, pois cansei de tentar agradá-los. Vou em busca da minha emoção, do meu desejo e da minha satisfação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;Começo pela base, que homogeniza toda a pele, me dando um aspecto angelical de porcelana, porém sem vida. Em seguida me ocupo dos olhos. Aí, então, perco grande parte do tempo, pois é onde se encontra meu grande trunfo. Como uma coruja na noite da floresta, te observo, presto atenção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;Quero te absorver por inteiro, e tudo relacionado a você, te capturar com meu olhar fixo e faminto de animal selvagem. Quero te devorar, minha saborosa presa, com toda a força da minha sedução. Admirar cada expressão sua, cada movimento, te reparar, te sentir, te alcançar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;Lápis preto e rímel somente em cima para levantar os ânimos da minha alma cansada e aflita. Pintura à vontade até o terço distal das pálpebras superiores, quando... atenção! Território proibido por meus traços caídos e que, se inadvertidamente for explorado, me fará a mais triste das criaturas de todas as galáxias. Pois então, continuo. Agora, cores. Muito pó colorido claro no canto medial, próximo do nariz, que escurece à medida que corre para o lado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;No entanto, não me satisfaço só com o olhar, preciso exercitar o que tenho recentemente praticado, o falar. Gosto de boca rosa, jovem, saudável, carnuda, forte e brilhosa. Ela pede que seja ouvida, que seja respeitada, desejada e correspondida. Beijos calorosos, doces e longos. Que deixem registrados, em algum lugar da minha existência, um sinal de que estou viva. De que você me aceita, de que você quer receber meu amor e quer me dar o seu em troca. É isso, uma troca, portanto, com duas vias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;Agora, ilumino o rosto com o blush certeiro que sempre me livra de achar que fiz besteira, de que carreguei de mais ou de menos, escarlate balança. E então, o “grand finale”, que, na realidade, é a primeira coisa a ser notada, antes mesmo de me ver você já me reconhece. No entanto, não é tarefa assim tão fácil estimular o olfato alheio. Dependendo da hora do dia ou da noite, do estado de espírito e do humor, uso diferentes perfumes. Antes de sair, me perfumo toda para você, dando ênfase, é claro, para a região do pescoço, pois será a primeira a ser abordada no cordial cumprimento na hora da chegada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;Agora estou pronta para te saborear, para ser amada e para ser feliz. Quero ser notada, fazer diferença na sua vida, quero ser importante. O que te peço não é muito, veja bem: apenas que você seja amável, cuide de mim, se preocupe em me agradar, saiba meu nome, lembre do meu aniversário e dos encontros marcados, que você abra seu coração para mim, me aceitando e me permitindo te descobrir. Te aceitarei também e você será assim como uma marca bonita na minha pele, uma delicada tatuagem, da qual lembrarei sempre com carinho e consideração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Rio de Janeiro, 03 de Outubro de 2009&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-3898887602402165745?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/3898887602402165745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/meu-ritual.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/3898887602402165745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/3898887602402165745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/meu-ritual.html' title='Meu ritual'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-9084910052450143506</id><published>2009-11-22T07:38:00.000-08:00</published><updated>2009-11-22T07:56:45.006-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escrever'/><title type='text'>A caneta como instrumento libertário</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Pequena, pesada, preta com detalhes prateados. Esferográfica azul, macia. Metade do seu corpo gira e ... &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;voilá!&lt;/i&gt; Pronta para usar. Sobre o que escrevo? Qualquer coisa. O tudo. O nada. O que passaria despercebido, o que de mais importante há no ser, o cerne da questão. O que representa? A estruturação do raciocínio de quem estava completamente sem norte, de quem pensava em um milhão de coisas de uma vez. A calmaria depois do furacão. A reconstrução.&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Calma, eu digo para mim mesma, vamos ver se consigo me expressar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Me impressiono com o resultado. Nem eu sabia que era capaz. Gostei. É a valorização do eu. As questões agora são palpáveis na forma de um título e algumas linhas. Esses papéis fazem parte de mim e eu pertenço a alguma coisa. É uma das atividades mais solitárias, mas me sinto de certa forma acompanhada. De quem? A quem interessaria? Não importa. A mim mesma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Escrever no computador? Nem pensar! Primeiro que não teria meus manuscritos. Qualquer pessoa poderia escrever meus textos. Perde um pouco de mim. E, nesse momento, quero me descobrir por inteira. Segundo que tem a questão do tempo, que seria diferente. Enquanto escrevo estou pensando, tudo em harmonia, e as idéias surgem naturalmente. Terceiro que posso escrever em qualquer lugar. Na cama, no sofá, na mesa. Não dependo de energia, memória, antivírus, pane geral... estou imune a tudo. É a liberdade plena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;São quatro da manhã e fui acordada pelas minhas idéias. Tenho que me levantar e despejá-las rapidamente no papel. Não consigo dormir. Estou na cama sozinha, nua. Estou preocupada. Amanhã, digo, hoje tenho que acordar cedo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;É inevitável. Me levanto, pego o caderno vermelho e... ah, meu Deus, perdi! Onde está? Subitamente meu coração palpita e começo a procurar. Não seria capaz de escrever com mais nenhuma. Não da mesma forma, fluência, como que numa conexão direta cérebro- coração- mão- tinta. Só com ela. Onde está? Ufa! Debaixo do travesseiro. Que bom! E respiro mais aliviada. Posso prosseguir com meu instrumento libertário. Posso dormir em paz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-9084910052450143506?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/9084910052450143506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/caneta-como-instrumento-libertario.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/9084910052450143506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/9084910052450143506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/caneta-como-instrumento-libertario.html' title='A caneta como instrumento libertário'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-657984812306953650</id><published>2009-11-22T07:32:00.000-08:00</published><updated>2009-11-22T13:49:46.427-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Férias'/><title type='text'>Viramunda</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Não sou Anne Frank, mas tento, por meio desta espinhosa missão, falar de minhas aventuras e desventuras no velho, que para mim é novo, mundo. Não é exatamente um diário, porque não tenho nem paciência nem expertise para tal. Não narro minhas peregrinações, são apenas impressões sentidas por mim, um ser recém-nascido de um ventre mudo, ávida por experimentar: Daniela Viramunda. Meu novo sobrenome é uma respeitosa alusão a Geraldo Viramundo, personagem célebre da obra-prima de Sabino, que me acompanha e com quem me identifico enormemente. &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;Peço desculpas ao leitor não habituado à minha maneira de escrever. Já antecipo que pode ser uma leitura cansativa porque o que quero dizer vai além do que o que está escrito e depende da colaboração e sensibilidade de quem lê.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Não esqueço do que aprendi com uma professora muito querida: “escrever é cortar palavras”. Porque nem tudo pode ser explicitado de maneira óbvia, para que as palavras não esmaguem e matem as entrelinhas. Preciso preservar o frescor que sopra nas entrelinhas e nos torna mais leves.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;Apesar desta professora, nunca fiz curso de redação, ou recebi qualquer instrução profissional. Sou, por assim dizer, uma auto-didata. Escrevo de ouvido. Na tentativa e erro, aprendo comigo mesma, tentando me expressar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;Pois então, me lanço ao meu destino nômade de viajante, emigrante, visitante, passante. Sempre partir e nunca chegar. Para onde vou, afinal? Como ciganos, caixeiros-viajantes ou marinheiros-mercantes, tento seguir minha vocação peregrina e conhecer o que existe, ampliando meu horizonte e me tornando cidadã do mundo. Sigo os conselhos de Paulinho da Viola: “as coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;Inicio minha jornada desbravando a medieval Bavária. Os castelos, reis, cavaleiros e armaduras me remetem a uma época de muitas guerras, tortura e sofrimento. A religião como questão central e a música como refinado prazer. Compartilho de tudo isso com esses desconhecidos habitantes antepassados. Minha fé em Deus, que está em tudo, minhas armas que manipulo ainda sem destreza para me defender de meus inimigos e de mim mesma, que teima em me sabotar. Tenho que cravar um punhal certeiro no peito dela, que na véspera da viagem, sonha com o doloroso e imutável passado que insiste em rondar e limitar as possibilidades do presente e futuro. Porém, apesar dos pesares, tenho a música em meu coração, que suaviza tudo ao meu redor. Os violinos de Mozart se tornam familiares e despertam meu interesse pelo erudito mundo da ópera. Quem diria, eu, que vim da escola do samba, degusto com muito prazer de “&lt;?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /&gt;&lt;st1:personname productid="La Boh￨me" st="on"&gt;La Bohème&lt;/st1:personname&gt;”, de Puccini! Importantes reencontros, agradável convívio e aprazível estadia. Hora, portanto, de mudar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;Parto de trem para a Boêmia, onde gozo dos prazeres do líquido fermentado de cevada, malte e lúpulo. Muitas opções, muitos sabores e sempre em generosos recipientes. A terra- natal da cerveja é mesmo surpreendente, com toda sua arquitetura e história. Suas cem cúpulas e tudo tão próximo e tão acolhedor... Também te recebo, Cidade-Luz do Leste, e me arrisco no seu impronunciável idioma. Gente bonita e simpática. Começo a entender seu funcionamento, disposição geográfica, transportes e... já é hora de partir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="mso-tab-count: 1"&gt;&lt;/span&gt;A paisagem da janela é um espetáculo a parte. Interesso-me, em particular, pelos rios. Será que me lembro de todos? A ver: Isar, Danúbio e Moldávia. Ainda virão Spree, Amstel e Sena.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Descubro que os espertos e oportunistas não estão somente no Brasil e é preciso ter atenção e informação sobre tudo, e aprender a não confiar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Próxima parada: a cosmopolita, moderna e histórica capital alemã. Quantos acontecimentos já ocorreram sobre este solo, quanto sangue derramado, quanta vontade de viver! Combustível para a impressionante reconstrução. Passo a valorizar a liberdade ainda mais e a perceber como é cruel e maravilhoso o mundo em que vivo. É a dualidade da vida em cada praça, monumento, igreja ou museu. Nem o frio de -5º. C, nem a chuva de granizo, nem os dedos e o rosto dormentes tiram meu prazer de ser. De decidir meu destino ali na hora, de descumprir os meus planos de uma hora atrás e de me permitir exercer minha individualidade. Impressiono- me com a independência dos europeus e quero um pouco dela para mim, uma tupiniquim de fraldas, que engatinha rumo ao amadurecimento. Cadeirantes e cegos se deslocando normalmente, trabalhando e se divertindo. Idosos com gigantes mochilas de tracking e bastões sempre prontos e dispostos para mais uma caminhada. Não é possível que eu não consiga! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Para alimentar a alma, nada melhor que um concerto filarmônico sob a regência de um empolgado maestro e a companhia de uma excelente e descabelada violonista. Quanta astúcia, quanta grandiosidade, quanta perfeição! Dentro daquele enorme prédio moderno os problemas se tornam pequenos e sem importância. Mais um dia de andanças e sigo o caminho dos trilhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Neste momento, devo fazer uma pausa para dizer uma coisa. Só quem já passou por isso vai entender o que eu vou dizer agora. É como eu me sentia no início da viagem e como me sinto agora. Eu me sentia como se eu mesma tivesse apertado o botão da descarga do banheiro químico do avião, e, subitamente tudo o que existia dentro de mim tivesse sido sugado para um buraco negro e eu estivesse oca por dentro. Minha pele se colabou com o efeito do forte vácuo e formava a só superfície. Era extremamente difícil e asfixiante viver nesse ínfimo espaço virtual. Ao longo da viagem, fui preenchendo o espaço interior com o que encontrava de interessante no caminho. Então fui juntando cultura, arte, música, história, sociedades, línguas, estilos de vida, modos de pensar dos outros, minha reação a tudo neste meu delicioso e doce recheio. Um enchimento feito de diversidade e novidades. Agora, tendo alguma coisa concreta que alargue meu peito e me deixe respirar fundo, posso me sentir mais confortável comigo mesma, mais segura estando somente na minha companhia. Desfrutando os prazeres do ser. O quê? Eu, agora. Hoje, eu sou a estrela e minha hora chegou! Não sou como Macabéa que aceita a maneira como é tratada por Olímpico, nem espero que desça dos céus a figura idealizada do estrangeiro salvador, Hans. Não espero nada de ninguém, o que vier, aceito de bom grado, pois lucro é.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Mas, é claro, nem tudo sai como esperado e tenho que contornar dificuldades, resolver problemas surgidos neste momento e enfrentar o medo do desconhecido. Não se pode fugir do medo. Tenho é que aprender a conviver e controlar este sentimento tão ansiogênico quanto paralisador. Como aliada, tenho a razão, que me dá a melhor solução e me acalma baseada na realidade dos fatos. Busco acalanto em mim mesma, nesta retro-auto-alimentação salutar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Sigo neste trem, certamente mais moderno que a locomotiva de ferro que foi corajosamente parada por Geraldo Viramundo &lt;st1:personname productid="em Rio Acima. Apesar" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em Rio Acima." st="on"&gt;em Rio Acima.&lt;/st1:personname&gt; Apesar&lt;/st1:personname&gt; do conforto e da velocidade, dez e meia longas horas separam as duas cidades. Isto porque houve um atraso de uma hora no primeiro trem, que comprometeu o segundo trecho da viagem. Paciência! O que importa é chegar e o albergue me garante que meu quarto espera por mim. Nessa vida, as dúvidas são tantas... Como é bom ter certezas!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Ao chegar na Veneza do País-Baixo, tenho certeza de estar numa cidade encantadora. Seu casario de tijolos vermelhos e pretos com janelas e portas brancas, às vezes vermelhas, é extremamente simpático, cortado pelo labirinto de canais e uma legião de barcos, alguns na realidade, residências. Como é bom andar a pé ou de bicicleta por suas pitorescas ruas. Sonho da pequena Anne, segundo seus textos, e concretizado por mim. Os desejos da menina escondida no anexo são nossas possibilidades de hoje. Aproveitemos, então! Vamos correr por essas vielas, gritar, dançar, cantar, fazer muito barulho, sentir o aroma das tulipas recém- colhidas e viver. Aprecio as flores impressionistas e impressionantes nas telas do gênio incompreendido e solitário. Uma explosão de cores e traços que não buscam a perfeição e sim a tradução do mundo segundo a sua ótica. O mundo era difícil demais para ele, e, por isso, desistiu. Eu, no entanto, não desisto de tentar a vida, a alegria e o amor. Por isso, vamos em frente, pois ainda há muito por vir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Sob o olhar atento de Egon Shiele no auto-retrato que enfeita a capa do caderno, prossigo protegida rumo a Cidade Luz, para o tão esperado reencontro. Gosto de tudo aqui, especialmente das ruas e dos museus. No primeiro dia, me divirto com os surrealistas, que, com seus bigodes milimetricamente afinados, elevados, retorcidos e espetados nos mostra que um novo caminho é possível. A sensualidade engraçada e provocadora como instrumento fundamental da mudança. Porque há de haver espaço para o desejo, o estranho, o diferente, o feio, o improvável e o delírio. Que segredos escondem as gavetas do ser humano? Como funciona um relógio derretido? Homem invisível, homem sem cabeça, mão sem corpo, o que a imaginação permitir... Quebrar as algemas da realidade e sonhar. Sonho um dia poder fotografar decentemente as lindas estátuas do escultor que embelezam seu ensolarado jardim. Abençoadas pela Torre e pelos Inválidos, vocês são abençoadas, obras-primas, pois traduzem a força, movimento e expressão do homem. Estátuas de bronze que transmitem sentimentos, ações, cheiros e sons. Isso é arte, afinal! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Arte espalhada nos prédios, jardins, torres, igrejas e pontes. Até parecem terem sido projetadas de maneira a se alinharem formando perfeitos cartões-postais. Uma cidade em que cada esquina esconde uma deliciosa surpresa: café, lojinha, praça, livraria, restaurante... Onde a retrô art-nouveau floresce, cresce e enobrece os olhos de quem aprecia suas moças-donzelas, frutas, folhagens, espelhos e formas geométricas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Mas será que a vida aqui é tão diferente da brasileira? Vejamos... a feira livre é bem parecida, com feirantes oferecendo seus produtos em alto som, descontos, amostras-grátis e gracejos para senhoritas. Vendem também produtos incomuns nestes mercados no Brasil, como ítens de beleza, limpeza, chocolates e balas, mas, em geral, se assemelham. Assim como se assemelham os pedintes nos ônibus e metrôs, em seus quase-repentes, que narram quem poderiam ser, quem são e pedir qualquer trocado para a difícil subsistência. O trânsito de carros é mais caótico que no resto do continente, mas, sem dúvida, é mais civilizado que o brasileiro. Ainda não me acostumei a passar na faixa de pedestre, mesmo o sinal estando aberto para mim! É a cultura do desrespeito que ainda trago comigo, a lei do esperto. Logo eu, que de esperta, não tenho nada, boba que sou! E usufruo de minhas vantagens e desvantagens por isso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;No meu último dia da viagem já estou cansada física e mentalmente, desejosa de voltar. Como meu vôo é somente à noite, tiro ânimo de não-sei-onde e aproveito o dia para me despedir da cidade com longas caminhadas. Começo, então, pelo gigantesco e louvado museu-castelo-palácio, que já havia visitado em outra oportunidade. Meu tempo é curto e não admite que eu fique na quilométrica fila. Por isso, dessa vez não vi a enigmática de Da Vinci, contentei-me em apreciá-lo só por fora. O tempo ajudou bastante e foi um agradável passeio pelos jardins, avenidas e praças até chegar ao triunfal arco. Com meu iPod nos ouvidos e máquina na mão me divirto descobrindo ângulos, caretas, placas, carros,... E eis que chego ao auge da independência: tiro fotos de mim mesma, não preciso de ninguém nem para isso!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Adeus, cidade dourada, cidade amada, um dia hei de voltar, aprofundar meus laços contigo e fazer parte de ti. Que eu possa preservar essa boa-aventurança, essa paz interior que construi nesses vinte e seis dias, e fortalecer a minha poderosa fragilidade. Por hora, meu desafio é conseguir fechar as malas que estão lotadas de lembranças de todos os lugares por onde passei, e seguir meu retorno para a minha querida Cidade Maravilhosa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Europa, de 03 a 27 de Outubro de 2009&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-657984812306953650?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/657984812306953650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/viramunda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/657984812306953650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/657984812306953650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/viramunda.html' title='Viramunda'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-4465571938948937603</id><published>2009-11-22T07:30:00.000-08:00</published><updated>2009-11-22T07:37:35.724-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Trabalho'/><title type='text'>Sangüíneo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Hoje atendi um homem jovem. Só mesmo uma doença muito grave e aguda para deixá-lo naquele estado. Completamente fraco, com fortes dores em todo o corpo, era pálido como o mais alvo papel. Toda a força e juventude não o livraram de seu destino. Seu sangue era doente, mas por quê?&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- É preciso fazer uma ponta de dedo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Gosto dessa expressão. Sempre me vem na cabeça a imagem de uma bailarina magra e delicada, equilibrando-se na ponta dos pés em suas sapatilhas mágicas. Esse exame ajudará a descobrir o que há de errado. Incrível seu significado, pois é pela ponta dos dedos que se recebe a energia. E é através dela que nós, médicos, podemos palpar uma ponta de baço ou o rebordo do fígado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Uma espetadela e pronto. A gota gorda e escarlate está lá e se desmancha por capilaridade quando tocada pela lâmina aguda e fria. Rapidamente ela é distendida e forma um tapete fino de sangue sob a forma de uma chama de vela. Os corantes são prontamente misturados numa alquimia artesanal e particular. Muito simples e rápido. Lá estão elas! Miseráveis células imaturas, monstruosas e aberrantes que se multiplicam descontroladamente paralisando sua produção sangüínea. Sangüínea. Musical, não acham? O trema já acabou, mas me recuso a deixar de usá-lo. Nossa língua é tão bonita, pro inferno com a reforma ortográfica!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Como qualquer leigo, ele não faz idéia do que está acontecendo. Como dar a notícia? O que dizer exatamente? Não podemos prometer a cura, mas temos que lhe dar esperanças. Qual a melhor terapia? A doença é fatal, mas pode-se morrer também do tratamento. Pobre diabo! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;No início, todos se desesperam, como que fadados ao terrível e irremediável fim. O passo seguinte é depositar todas as esperanças no tratamento oferecido, como se pudéssemos matematicamente prever o futuro. Nada lhe pode ser garantido, trabalhamos com probabilidades e não se sabe o que acontecerá. A doença irá remitir? Se remitir, se manterá silente? Poderá recair? O tratamento pode funcionar, mas e seus efeitos colaterais a curto e a longo prazo? Qual será seu benefício na sobrevida e na qualidade de vida? Quantas perguntas... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;É difícil para o paciente raciocinar com tantas variáveis e optar por alguma coisa, então ele confia no médico. É um peso grande e uma dedicação gigantesca, não se pode negligenciar nada. Um simples sintoma pode mudar tudo. É uma relação muito forte e a vida daquele homem tão moço e robusto depende desesperadamente de mim. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;/span&gt;Não posso abandoná-lo, meu compromisso é com ele e não com a cura. Tenho que lhe garantir ao menos conforto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Ele pode não saber exatamente de nada, mas sente e compreende quando alguma coisa não está indo bem.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Protege-se em sua ignorância e deixa a vida caminhar. A falta de conhecimento muitas vezes é salutar. Permite que simplesmente se viva sem julgamentos e que se aprenda sempre. Liberta-nos da ilusão do pseudo-conhecimeto como verdade absoluta. “Só sei que nada sei” já dizia Sócrates. O paciente, portanto, sabe mais do que qualquer médico, afinal, ele é o doente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Rio de Janeiro 17 Junho 2009&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-4465571938948937603?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/4465571938948937603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/sanguineo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/4465571938948937603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/4465571938948937603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/sanguineo.html' title='Sangüíneo'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-8736996506144721209</id><published>2009-11-22T07:26:00.000-08:00</published><updated>2009-11-22T08:04:25.428-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escrever'/><title type='text'>Fotografias</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Calibri"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Escrevo por necessidade, para sobreviver. É uma atividade vital como outra qualquer: respirar, comer, beber, dormir... Mas, afinal, qual é a minha matéria-prima? O que está ao meu redor. Como uma câmera fotográfica, eu registro, através dos textos, o que vivo e dou minhas impressões sobre o mundo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Calibri"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;            Sinto-me uma espécie de catadora de lixo, que sabe reconhecer as virtudes do que parece inútil e sem valor e o recicla depois. Dou cintilância ao apagado e o transformo em belo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Calibri"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Como fotografar o sentimento? Utilizando as palavras e a pontuação escolho o ambiente, luminosidade, ritmo, tensão e humor do texto. Difícil tarefa! Exponho minhas entranhas quentes e macias para meus seletos leitores. Por que isso? Para dividir com eles o horror que é viver e a maravilha que é nascer e desabrochar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Calibri"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Gostaria de poder escrever mais solta e fotografar o instante mais fugaz, o silêncio, o perfume, a ternura e o amor. É preciso valorizar o amor, que parece tão impossível. Por que existe essa correlação tão direta entre o possível e o impossível? Quando se pensa que alguma coisa nunca acontecerá, e se despreocupa, portanto, só então é que começa a acontecer. Enquanto for possível, nada acontece. Quero fotografar o impossível, pois apenas ele me tranqüiliza, me entende e me liberta.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Calibri"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 14pt"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2009&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-8736996506144721209?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/8736996506144721209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/fotografias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/8736996506144721209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/8736996506144721209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/fotografias.html' title='Fotografias'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7983172801418326163.post-3733549028307342509</id><published>2009-11-22T07:24:00.000-08:00</published><updated>2009-12-20T07:08:29.064-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lazer'/><title type='text'>O meu patrimônio</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Hoje acordei, olhei para a janela e vi o mundo de uma maneira nova. Aqueles morros, aqueles prédios, cada árvore, cada carro passando, cada pedra portuguesa cravada nas calçadas, o sol, o cristo de braços abertos, o bondinho do pão-de açúcar, tudo enfim, era meu. Era como se eu enxergasse a realidade pela primeira vez através de meus próprios olhos, e não por outra pessoa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Então, prontamente, peguei minha recém comprada bicicleta, dessas simples, femininas, com cesto na frente, leves e práticas e fui desbravar o meu mundo. Nunca foi tão fácil andar de bicicleta! Eu determinei o que iria levar na mochila, como iria sentar no banco, tracei o meu roteiro, subi e desci na calçada quando bem entendia, comemorando minha liberdade total. Uma agradável sensação de auto-suficiência, saúde, ecologia e bem-estar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%;font-family:Calibri;font-size:14;"  &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;E sentia que, pelos meus poros dilatados pelo calor do esforço, saía meu suor triste e sofrido, ainda por estar superando uma dor necessária para o amadurecimento. Às vezes me pergunto se não enlouqueci, se tudo o que sinto não é fantasia, mas sei que não. &lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%;font-size:14;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Como uma esponja seletiva, absorvo dessa realidade tudo de bom que ela gentilmente me oferece. Cada canto de passarinho, cada raio de sol, cada sorriso tímido de criança, cada barco de remo na lagoa, cada onda quebrando no mar e criando uma barra de espumas brancas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%;font-size:14;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Bebo uma água de coco e já está na hora de voltar. Antes disso, faço uma pequena pausa para admirar o meu patrimônio. Como o dia hoje está bonito! Fecho os olhos, deixo que o vento refresque meu rosto, enrolo meu dedo em um anel de cabelo e penso que para atingir essa lucidez calma das coisas não é preciso muito, apenas se permitir sentir.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%;font-size:14;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%;font-size:14;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;span style="font-family:Calibri;font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Rio de Janeiro, 28 de Setembro de 2009 &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7983172801418326163-3733549028307342509?l=camaleoavirtual.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/feeds/3733549028307342509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/o-meu-patrimonio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/3733549028307342509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7983172801418326163/posts/default/3733549028307342509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://camaleoavirtual.blogspot.com/2009/11/o-meu-patrimonio.html' title='O meu patrimônio'/><author><name>Daniela Palheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06342967331936096478</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://1.bp.blogspot.com/-UDItfl7YJ8A/TofNidMWxaI/AAAAAAAAAEc/s73Ho0vmlnE/s220/IMG_0055.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
